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Wagner Borges: A passagem final do malhado - um gato astral. (Parte 2)



É quase noite na fazenda...
A mãe prepara a janta na casa central.
De súbito, irrompe na sala uma menina chorando...
Ela tem cerca de dez anos de idade e traz um gato nos braços.
Deseperada, ela grita: "Mãe, uma cobra mordeu o Malhado. Ele tá morrendo!"
Então, a mãe pega o bichano e verifica suas condições vitais.
Nisso, o Malhado dá o seu último suspiro e fica imóvel.
A mãe olha para a filha e não sabe o que dizer...
Pouco depois, chega o pai e, desconcertado, chora junto com a filha.

* * *

Agora já é noite na fazenda...
E um clima de tristeza ronda a todos na casa.
O pai enterrou o corpo do gato logo atrás de uma árvore, onde, anos antes, ele enterrara o cadáver de Fito, o seu cachorro querido, que desencarnara de velhice.
Na casa central, a saudade fez sua morada...

* * *

As horas passam...
A menina finalmente adormece nos braços de sua mãe.
Ao mesmo tempo, o pai olha pela janela da sala, pensativo...
Ele pondera sobre a transitoriedade das coisas do mundo.
No entanto, ele sente algo em seu coração...
Algo mais... Um Amor. Uma Luz.

* * *

Enquanto isso, no astral da sala, um Ser de Luz segura o Malhado, em espírito.
E o bichano ronrona tranquilo no colo dele, bem vivo, além do olhar dos homens.
Então, aquele Ser espiritual atravessa a parede da sala e leva o gato com ele...
E eu os vejo entrando num portal luminoso circular, algures.
Em seguida, eles saem num lugar maravilhoso, como um grande fazenda no astral.
E, ali, ele solta o Malhado em meio a milhares de outros gatos extrafísicos.
E o bichano sai correndo, contente, como se já conhecesse o seu novo lar.
Então, daquele lugar cheio de natureza viva e pulsante, O Ser de Luz me olha...
E, em meu coração, eu escuto o seguinte, em Espírito e Verdade:
"Irmão, escreve que também há algo mais para os animais... Um Amor. Uma Luz."
E eu, aqui na cidade grande, cumpro o seu pedido - grato pela visão espiritual**.

P.S.:
Às vezes, as palavras somem, e só fica a emoção do momento.
E eu não sei mais o que dizer... Porque só sei sentir.
Então, enquanto o Malhado voa lá na fazenda extrafísica, bem vivo, eu vou ficando por aqui, em Espírito e Verdade.
Sim, ficando com algo mais... Um Amor. Uma Luz***.

Paz e Luz.

- Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 26 de setembro de 2012.

- Notas:
* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).
** Enquanto eu passava a limpo esses escritos, rolava aqui no som a linda canção "My Time on Earth", cantada pelo vocalista americano Billy Gillman, na época um garoto de 11 anos (faixa 5 do CD "Dare To Dream"). Inclusive, postei uma tradução da letra para o português - e também a letra original em inglês -, nas notas de rodapé do meu texto "Alquimia do Amor", postado no site do IPPB no ano de 2002, no seguinte endereço específico: http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5790:872-a-alquimia-do-amor&catid=31:periodicos&Itemid=57
Obs.: Certa vez, quando toquei essa música no meu programa "Viagem Espiritual, na Rádio Mundial de São Paulo, minha amiga Nadja Pereira, editora do site da "Revista Consciência Desperta" - http://revistaconscienciadesperta.webnode.com -, escutou a mesma e adorou. E, há alguns dias, ela enviou-me um e-mail falando de uma montagem que fez dessa canção (com a tradução da letra e imagens de um filme), e postou no site do Youtube. Ela escreveu-me o seguinte:
"Olá caro Wagner.
Certa vez, ouvi a música My Time on Earth, do Billy Gilman, no seu programa e desde então virei fã dessa canção. Ontem eu montei um vídeo com a tradução da música e cenas do filme "A Árvore da Vida".
Espero que toque os corações das pessoas como tocou o meu.
Grande Abraço, amigo."
Então, para quem quiser ver e ouvir a montagem dela na canção, posto na sequência o link específico do site do Youtube:
*** Dias depois, ao finalizar esses escritos, lembrei-me de um texto do sábio hindu Shankara, produzido no século IX. Trata-se de uma poderosa dose de discernimento em poucas linhas. Fala das ilusões e dos véus escuros que rondam o espírito do homem submergido nas provas do mundo. E evidencia a joia suprema que brilha no coração, como um farol de bem-aventurança na jornada do despertar da consciência.
Como eu gosto muito desse texto, deixo-o na sequência para todos os leitores. E, quem sabe, lendo-o, talvez outros corações se iluminem na mesma sintonia espiritual.
Sim, talvez o discernimento de seu conteúdo seja um espécie de remédio consciencial inspirado pelo Senhor Shiva ao sábio Shankara - para erradicação das tolices que todos nós carregamos em nossos egos.
Ah, quem sabe os caminhos que o Alto toma para curar a ignorância e a inércia consciencial da humanidade?...
Quem sabe, algo mais?... Um Amor. Uma Luz.
Ou, como diria Shankara: "Quando a Joia do Supremo Discernimento brilha, desatam-se os nós do coração espiritual. E o que se vê é o Amor Real e a Luz do Senhor em tudo."
Ah, Shiva-Shankara, valeu pelo remédio!
(Segue-se o texto logo abaixo).


MOHA MUDGARAM - O FIM DA ILUSÃO

- Por Shankara -

Quem é a esposa? Quem é o filho?
Estranhos são os caminhos deste mundo.
Quem és tu? De onde vieste?

Vasta é a ignorância, meu bem-amado.
Medita, pois, sobre essas coisas e adora o Senhor.

Vê a loucura do Homem:
Na infância ocupado com seus brinquedos,
Na juventude seduzido pelo amor,
Na maturidade curvado sob as preocupações -
E sempre negligente com o Senhor!

As horas voam, as estações passam, a vida se escoa,
Mas a brisa da esperança sopra continuamente em seu coração.
O nascimento traz a morte, a morte traz o renascimento:
Esse mal não necessita de prova.
Onde, pois, ó Homem, está a tua felicidade?

Esta vida tremula na balança
Qual orvalho numa folha de lótus -
Não obstante, o sábio pode nos mostrar, num instante,
Como atravessar esse mar de mudanças.

Quando o corpo se cobre de rugas, quando o cabelo encanece,
Quando as gengivas perdem os dentes, e o bordão do ancião
Vacila sob o seu peso como um caniço,
A taça do seu desejo ainda está cheia.

Teu filho pode trazer-te sofrimento,
Tua riqueza não te garante o céu:
Não te vanglories, pois, de tua riqueza,
Nem de tua família, nem de tua juventude -
Todas elas passam, todas hão de mudar.

Sabe isso e sê livre.
Entra na alegria do Senhor.
Não busques a paz nem a discórdia
Com amigos ou parentes.

Ó bem-amado, se queres alcançar a liberdade,
Sê igual em tudo.

(Texto extraído do livro "Viveka Chuda Mani" - A Joia do Supremo Discernimento** - Editora Pensamento.)

- Notas de Wagner Borges:
* Shankara - sábio hindu do século 9 d.C., autor do clássico hinduísta "Viveka Chuda Mani".
Obs.: Também é um dos epítetos do deus Shiva, um dos aspectos da trimurti hinduísta (Brahma - O Criador, Vishnu - O Preservador, e Shiva - O Transformador).
A tradução literal de Shankara é "Aquele que dispensa bênçãos" ("dispensador de bênçãos"; ou seja, Shiva e, por extensão, os seus avatares).
Logo, Shankara é considerado como um dos avatares de Shiva.
** Viveka Chuda Mani - nome do célebre livro de Shankara.
Sua tradução literal é: Viveka, o discernimento espiritual; Chuda, suprema; e Mani, a joia". Ou seja, "A Suprema Joia do Discernimento".
E como a palavra Mani também significa a joia oculta no coração (o atman, a essência espiritual imperecível), pode-se traduzir o sentido real da obra de Shankara  assim: "O Discernimento Supremo Que Mora na Joia do coração Espiritual".
Resumindo: na verdade, além do nome do livro, trata-se de um poderoso mantra evocativo da atmosfera espiritual dos rishis (sábios) que inspiraram "Os Upanishads", o trabalho de Shankara e os elevados valores conscienciais do Vedanta.

Para ver vídeos e ouvir áudios do Wagner Borges, acesse:
Canal Sol do Everest - www.youtube.com/soldoeverest 

Acesse o site do I.P.P.B (Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas): www.ippb.org.br

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