Pular para o conteúdo principal

Wagner Borges - Viveka* - O discernimento consciencial.



Se eu citar Jesus e seus ensinamentos e, até pregar em seu nome, mas não respeitar a crença dos outros, tudo isso de nada adiantará.

Se eu admirar Krishna e cantar mantras e louvores ao divino, mas não tiver amor pela vida, então estarei perdido em mim mesmo.

Se eu meditar profundamente e falar dos ensinamentos dos rishis**, mas não vir o divino em tudo, nada serei realmente.

Se eu seguir os ensinamentos de Buda e, até pregar em nome do iluminado, mas não praticá-los nas lides da vida cotidiana, então tudo continuará em trevas dentro do meu coração.

Se eu falar dos ensinamentos dos mestres, ou dos mentores espirituais, mas não viver com alegria nem me apaixonar pelo Todo, com certeza terei perdido o tempo de vida e suas experiências.

Se eu falar de Shiva, mas não transformar o meu ego em servidor da Luz, de que adiantará?

Se eu falar dos santos, dos boddhisattvas***, dos avatares, ou mesmo dos anjos, mas ainda carregar violência em meu coração, tudo permanecerá estranho dentro de mim.

Se eu falar da Luz, mas carregar maldade em meus anseios e portar as faixas escuras do ódio no coração, então andarei em trevas.

Se eu falar da Mãe Divina e de sua doçura incondicional, mas projetar as farpas do egoísmo e da maledicência sobre os outros, estarei em miséria consciencial.

E se eu estudar os temas conscienciais, mas permanecer cheio de medo diante do invisível e ainda temer as provas do caminho, então só restarão as cinzas de minha ignorância diante do meu olhar de impotência.

Mas, se mesmo diante das dificuldades, eu assumir o comando de minha consciência e melhorar o que penso, o que sinto e o que faço, então serei eu mesmo melhorado.

E essa é a grande riqueza que alcançarei: eu mesmo melhorado!

Não é o que acredito que faz o que eu sou. É o que eu sou, realmente, que me faz como sou.

Por todo tempo, por onde eu for, seja com quem for, que seja eu mesmo, sempre melhorado, sempre aprendendo...

Maravilha das maravilhas, eu mesmo, sempre feliz.

P.S.:
De que adiantam as vitórias efêmeras no mundo, se, por dentro, na casa do coração, reina a desordem e a agitação?
De que adianta ter um corpo lindo, se a alma é pequena e cinzenta?
De que vale encher a cara de bebida, se, por dentro, tudo está ressecado e sem brilho?
De que adianta deitar com alguém na cama, se o coração não chama e o pensamento/sentimento voa para longe, para outro coração?
De que adianta ser arrogante por fora, se, por dentro, o medo de viver corrompe os melhores potenciais do ser?
De que adianta falar de Amor, sem amar realmente?
De que adianta "viver sem viver", só se arrastando, sem outros horizontes?
De que adianta a um homem ganhar o mundo, se ele perder sua alma?

Paz e Luz.

- Wagner Borges - sujeito com qualidades e defeitos, mestre de coisa alguma e discípulo de coisa nenhuma, que sempre agradece ao Todo, por tudo. São Paulo, 02 de maio de 2007.


- Notas:
* Viveka - do sânscrito - discernimento espiritual.
** Rishis - do sânscrito - sábios espirituais; mentores dos Upanishads.
*** Bodhisattvas - do sânscrito - são aqueles seres bondosos que estão perto de se tornarem Budas ou Iluminados. Para facilitar a explicação, podemos dizer que eles são canais espirituais ou avatares conscientes do amor de todos os Budas.


Para ver vídeos e ouvir áudios acesse a sessão do Wagner Borges em nosso Exclusivo Canal Sol do Everest no Youtube - www.youtube.com/playlist?list=PLFC3C6B292A9EE691 

Canal Sol do Everest: www.youtube.com/soldoeverest

Postagens mais visitadas deste blog

Jefferson L. Orlando: A mudança acontece de dentro para fora...

A tão esperada virada do jogo começa dentro de nós, para só assim então, colocarmos ela em prática para fora em nossas atitudes e ações.
Não existe mudança verdadeira, quando a atitude parte somente de fora.
Não se engane querendo mostrar atitudes externas que não condizem com as internas, quando o silêncio da noite chegar e no seu íntimo você acessar, no mesmo momento irá saber que tem algo ai dentro que não mudou.
Para mudar é preciso coragem, determinação, foco, objetivo, garra e principalmente a tão esperada mudança nos padrões de pensamentos.
Se acostumar com os pensamentos a que vem tendo desde criança até hoje é fácil, não precisar mudar nada e chega a ser cômodo. Sair da zona de conforto às vezes é crucial, mas quase ninguém quer sair do conforto de não precisar colocar as mãos na massa da transformação.
A zona de conforto, não é necessariamente uma área em que a pessoa esteja vivendo uma vida ótima, com um excelente emprego, uma família equilibrada, um feliz relacionamento amoroso…

Alexander Eben - Neurocirurgião que volta após o coma e se convence que há vida após a morte.

O Fantástico conta uma história do além! Um neurocirurgião americano nunca acreditou em vida após a morte até passar por uma experiência dramática. Ele entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado. O que existe depois que a vida acaba? Para o neurocirurgião Alexander Eben, a morte sempre significou o fim de tudo. Ele entende do assunto: foi professor da escola de medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e há mais de 25 anos estuda o cérebro. Sempre tinha uma explicação científica para os relatos dos pacientes que voltavam do coma com histórias de jornadas fora do corpo para lugares desconhecidos. Até que ele próprio vivenciou uma delas. E agora afirma: existe vida após a morte.
Era 10 de novembro de 2008. O doutor Alexander é levado às pressas para o hospital, com fortes dores de cabeça. Ao chegar lá, é imediatamente internado na UTI. Em poucas horas já estava em coma profundo. Ele havia contraído uma forma rara de me…

Dr. Rogério Brandão - Saudade é o amor que fica!

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (...) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional... Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo…